sábado, 18 de julho de 2009

Sexualidade e Castidade

Aloísio Parreiras


Em nossos dias, estamos assistindo, estarrecidos, a expansão do hedonismo, do namoro sem compromisso e de várias formas de pornografia. Nos diversos meios de comunicação, sobretudo nos canais de televisão, na Internet e em inúmeras revistas, propaga-se, cada vez mais, a busca desenfreada do prazer, como se este fosse um valor. Transmite-se a falsa idéia de que, desde tenra idade, o ser humano deve ceder aos seus impulsos sexuais e, consequentemente, é cada vez maior o número de casos de adolescentes grávidas, pois cada vez mais cedo - por volta de 12, 13 ou 14 anos -, se dá a iniciação sexual dos adolescentes. Diante de tal panorama é necessário se questionar: e o sexto e o nono mandamentos da lei de Deus? A castidade e a pureza deixaram de ser ideais que devem ser vividos e ensinados aos jovens?

Diante de tal quadro não podemos nos calar. Em nome da caridade, nós devemos propagar a Verdade ensinada por Jesus Cristo. Não basta apenas ficarmos estarrecidos, pois para superar os desvalores, nós temos que semear os reais valores. Para vencer o mal é necessário vivenciar o Bem. Para eliminar as falsas idéias e sofismas relacionados com a sexualidade é necessário contrapor o real valor e a verdadeira dignidade do sexo.

Nesse contexto, penso que é vital poder resgatar a prática da virtude da santa pureza, ou seja, a prática da castidade como uma afirmação, doação e preparação para a vida conjugal. A castidade é uma virtude, um bom hábito que nos ajuda a viver em íntima união com Deus. Não é certamente a principal virtude, mas é, sim, uma nobre virtude, vivida principalmente pelas pessoas que sabem valorizar e respeitar o seu semelhante integralmente e confiam plenamente em Deus, e sabem que no momento oportuno, isto é, no Matrimônio, constituirão um único corpo, abençoado e santificado por Cristo.

Sabemos que, pelas pressões do mundo, não é tarefa fácil ser casto. Como toda virtude, a prática da castidade pressupõe um constante aprendizado, até se concretizar como um bom hábito. E devemos ter consciência de que temos os “pés de barro”, ou seja, sozinhos, nada somos, mas participando dos sacramentos e vivenciando a graça habitual, estaremos purificando o nosso coração e todo o nosso corpo.

Sacramentos, oração, mortificação, renúncias e apostolado. Eis aí cinco meios de perseverança que nos proporcionam a vivência da castidade. Todo jovem que tem uma vida estruturada na oração e uma intensa participação nos sacramentos sabe realizar, cotidianamente, pequenos sacrifícios e renúncias e assim contribui generosamente com sua alegria e o seu entusiasmo para um fecundo apostolado. O jovem que é capaz de servir ao seu próximo, reconhece o valor e a dignidade do seu corpo, como também o valor e a dignidade do corpo do seu semelhante e, por isso, purifica o seu olhar e demonstra inúmeras virtudes em suas ações. É um jovem modesto em seus trajes e o demonstra pelas suas atitudes que é Templo de Deus, morada do Espírito Santo e Tabernáculo do Altíssimo.

O sexo não pode e não deve ser apresentado aos jovens como uma coisa feia ou algo proibido, que deve ser evitado. O sexo deve ser apresentado como um valor, algo bom que foi criado por Deus visando a conservação da nossa espécie. Deve ser dito também aos jovens que, além de ser um instinto, o sexo é também um sinal do amor entre duas pessoas, um homem e uma mulher, que se realizam mutuamente no Matrimônio. Como é bom poder conviver com jovens castos que se preparam no namoro e no noivado para testemunhar em família, o Amor de Deus no Matrimônio!

Como seres humanos, nós somos animais gregários e, por isso, vivemos em grupos ou turmas, especialmente os jovens que muitas vezes são influenciados pelos seus colegas, pela sua turma. Mas, se os pais souberem ser amigos de seus filhos e um sólido exemplo de um casal cristão que se respeita, se ama e se complementa, indubitavelmente, contemplarão também em seus filhos a realização concreta de uma Igreja doméstica.

A castidade deve ser vivida por todos; nós sabemos que há, inclusive, a castidade que deve ser vivida entre os cônjuges e, para todos aqueles que já pecaram contra ela, é sempre bom recordar que há a possibilidade de uma segunda castidade que também é abençoada por Cristo e valorizada por toda a Igreja.

Como jovens responsáveis pela formação de outros jovens, nós devemos propagar o valor sublime do Plano de Deus em relação à sexualidade em nossas faculdades e em nossos locais de trabalho e de lazer. Acima de tudo, devemos demonstrar que a fé e a moral Católica não são meras normas repressoras do sexo, mas sim fontes seguras de orientação que nos ensinam a proteger e valorizar a sexualidade. Sexo faz bem, sim, mas, desvirtuado do Plano do Amor de Deus, só conduz à exploração do ser humano e a grandes frustrações e decepções.

Para concluir, é sempre bom recordar que, para combater o hedonismo, é imperioso anunciar o verdadeiro Deus à juventude. Como nos diz o nosso amado e saudoso João Paulo II: “Se Cristo lhes for apresentado com o Seu verdadeiro rosto, os jovens reconhecem-No como resposta convincente e conseguem acolher a sua mensagem, mesmo se exigente”.(João Paulo II, “Novo Milennium Ineunte, nº9”). Como nos ensina São Paulo, em sua Carta aos Gálatas - Gl 5,23: a castidade é um dos frutos do Espírito Santo; consequentemente, nós devemos recorrer ao Divino Espírito, para que Ele nos ensine a sermos puros e castos, vivenciando a prática do Amor-Caridade.
Historiador e membro da Comunidade de Emaús

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