sexta-feira, 26 de junho de 2009

TEOLOGIA DO CORPO

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O que são Indulgências?

As indulgências não significam venda do perdão de pecados, como se diz freqüentemente, mas são obras boas que devem ser praticadas com profundo amor a Deus e total repúdio do pecado já absolvido pelo sacramento da Penitência, a fim de que o amor a Deus assim excitado apague os resquícios do pecado que costumam permanecer no cristão mesmo após a absolvição sacramental. O fiel católico que lucra uma indulgência, pode aplicá-la às almas do purgatório, à guisa de sufrágio, isto é, pedindo a Deus que o amor ao Senhor existente naquelas almas acabe de erradicar qualquer vestígio de amor desregrado. Deve-se reconhecer que não é fácil ganhar indulgências, pois o apego ao pecado (ainda que leve) muitas vezes está profundamente arraigado no íntimo do cristão.
A esmola, implicando caridade ou amor a Deus e ao próximo, pode ser uma obra indulgenciada. É este aspecto que deu origem à falsa interpretação de que se vendia e comprava o perdão dos pecados no século XVI. O tema das indulgências freqüentemente suscita mal-entendidos, mas afinal, o que são indulgências?
Para ter noção do que são as indulgências na Igreja, devemos aprofundar sucessivamente quatro proposições doutrinárias, a saber:
a) Todo pecado acarreta necessidade de expiação ou reparação.

b) Em vista da reparação, existe na Igreja o tesouro infinito dos méritos de Cristo, que frutificou nos méritos da Bem-aventurada Virgem Maria e dos demais Santos.

c) Cristo confiou à sua Igreja o poder das chaves para administrar o tesouro da Redenção.

d) Fazendo uso deste poder, a Igreja, em determinadas circunstâncias, houve por bem aplicar os méritos de Cristo aos penitentes dispostos a expiar os pecados.


Examinemos mais profundamente estas proposições:


a. Necessidade de Expiação
O pecado não é somente a transgressão de uma lei, mas é também a violação da ordem de coisas estabelecida pelo Criador. Por isto, para que haja plena remissão do pecado, é necessário não somente que o pecador obtenha de Deus o perdão, mas também que repare a ordem violada (é o que se chama "expiação"). Assim quem rouba um relógio, não precisa apenas de pedir perdão a quem foi lesado, mas deve também devolver o relógio ao seu proprietário. Quem caluniou alguém, não deve somente pedir-lhe perdão, mas haverá de restaurar o bom nome e a fama de quem foi injustiçado. Mesmo os pecados meramente internos de pensamentos e desejos exigem, além do perdão de Deus, também a restauração da ordem interna do pecador, pois os pensamentos e desejos culposos excitam ou alimentam paixões e afetos desregrados no íntimo do respectivo sujeito.
A necessidade dessa reparação é muito lógica. Dizia sabiamente S. Agostinho: "Aquele que te criou sem ti, não te salva sem ti". A própria Escritura dá a ver que o Senhor Deus, mesmo após haver perdoado a culpa do pecador, exigiu a reparação da ordem violada. Ver 2Sm 12,13s; Nm 20,12s; Tb 4,11s.

b. O tesouro dos méritos de Cristo confiado à Igreja
Em vista da expiação dos pecados, existe na Igreja um tesouro infinito de méritos que Cristo adquiriu mediante a sua Paixão e Morte; esse tesouro frutificou nos méritos da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos. É chamado "o tesouro da Igreja". Cristo confiou à sua Igreja as chaves para administrar o tesouro da Redenção, como se depreende de textos, como o de Mt 16, 16-19; 18, 18; Jo 20, 22s.

c. A aplicação dos méritos de Cristo ou a instituição das indulgências
Consciente do poder das chaves que Cristo lhe concedeu, a Igreja, no decorrer dos tempos, resolveu aplicá-lo em favor dos cristãos penitentes que ainda tivessem de prestar expiação por seus pecados. Com efeito. Sabemos que nos primeiros séculos os pecadores que desejassem a absolvição de suas faltas, deviam primeiramente prestar satisfação por elas, tentando extirpar do seu íntimo as raízes do pecado. Por conseguinte, a Igreja lhes impunha uma penitência que, para ser medicinal, costumava ser rigorosa (assim, por exemplo, uma Quaresma de jejum, em que o penitente se vestia de sacos e cilício); essa penitência tinha por objetivo excitar e fortalecer, no penitente, o amor a Deus que extinguiria o amor ou as tendências desordenadas do sujeito. Em conseqüência, julgava-se que, quando o pecador era absolvido (na Quinta-feira Santa, geralmente), ficava isento não apenas da culpa, mas também das raízes do pecado; teria seu amor purificado ou teria reparado a ordem violada em seu íntimo.
Acontece, porém, que essa praxe penitencial, com o tempo, se tornou insustentável; não só exigia especiais condições de saúde, mas também acarretava conseqüências penosas para todo o resto da vida de quem a ela se submetesse. Eis por que aos poucos foi sendo modificada.
Com efeito, a partir do século VI foi introduzido novo costume: o pecador, tendo confessado suas faltas, recebia logo a absolvição, mas, depois disto, ainda prestaria uma satisfação correspondente à gravidade de suas culpas, a fim de extinguir dentro de si todo apego ao pecado. Este novo modo de administrar o sacramento da Reconciliação ainda era assaz penoso; a dura e prolongada penitência (jejum, cilício...) não podia ser praticada por todos os pecadores. Consciente disto, a Igreja instituiu as "comutações" ou "redenções" de penitências. Estas tem seu fundamento na própria S. Escritura: a Lei de Moisés enumerava casos em que as obrigações dos fiéis eram legitimamente comutadas e mitigadas, desde que se tornassem demasiadamente onerosas.
Em que consistiam propriamente as comutações de penitências na Igreja do século IX? Como dito, a Igreja é depositária dos méritos de Cristo que frutificaram nos méritos da SS. Virgem e dos Santos, constituindo o tesouro da Igreja. Ora os Bispos julgaram oportuno, a partir do século IX, aplicar esses méritos em favor dos pecadores absolvidos que se deviam submeter a rigorosas penitências. As duras obras de penitência foram sendo substituídas (comutadas) por outras mais brandas, obras às quais a S. Igreja associava diretamente os méritos satisfatórios de Cristo; assim em lugar de jejuns podiam ser impostas orações; em vez de longa peregrinação, o pernoitar num santuário; em vez de flagelações, uma esmola...
A estas obras mais brandas a Igreja, num gesto de indulgência, anexava algo da expiação sumamente meritória do Senhor Jesus. Foram chamadas "obras indulgenciadas" (enriquecidas de indulgências). A remissão da pena satisfatória obtida pela prática de tais obras tomou o nome de "indulgência". Compreende-se, porém, que tal indulgência não se ganhava de maneira mecânica; era sempre necessário que o penitente, ao realizar a obra indulgenciada, já tivesse recebido a absolvição de seus pecados, e nutrisse em si o horror ao pecado e o férvido amor a Deus que ele teria se fosse prestar uma quarentena ou mais de jejum e de cilício... Sem tais disposições, não ganharia a indulgência proposta.
No século XI, os bispos começaram a conceder indulgências gerais, isto é, oferecidas a todos os fiéis, sem se exigir a intervenção direta de um sacerdote. Em outros termos: os Bispos determinaram que, prestando tal ou tal obra (visita a um Santuário, orações especiais, esmolas...), os fiéis poderiam obter a remissão da satisfação correspondente aos seus pecados já absolvidos. Assim quem colaborasse na construção de um santuário ou peregrinasse a um lugar sagrado, lucraria uma indulgência de 100 dias, 1 ano, 7 anos (isto é, os frutos da penitência realizada durante cem dias, um ano, sete anos), desde que o fizesse com o horror ao pecado que animava os penitentes da Igreja antiga.
Esta praxe ficou em vigor até os tempos recentes da Igreja. Quando, antes do Concílio do Vaticano II (19621965), se falava de "indulgência de 100, 300 dias, um ou mais anos", não se designava um estágio no purgatório, pois neste não há dias nem anos. Com essa contagem, indicava-se o perdão da expiação que outrora alguém prestaria fazendo 100, 300 dias, um ou mais anos de penitência rigorosa, avaliada segundo a praxe da Igreja antiga. Em nossos dias a terminologia mudou, como se dirá mais adiante.

Reflexões Teológicas
As considerações até aqui propostas comprovam que a Igreja, ao instituir as indulgências, teve em vista auxiliar os seus filhos que tenham obtido o perdão de seus pecados, mas ainda devam prestar reparação pelos mesmos. A Igreja reconhece que na Comunhão dos Santos os fiéis vivos podem obter indulgências em favor dos irmãos falecidos que no purgatório ainda tenham de prestar satisfação por pecados cometidos nesta vida. É muito importante notar que ninguém pode lucrar indulgência sem que tenha previamente confessado as suas faltas graves (as obras indulgenciadas não obtêm o perdão dos pecados como tal) e sem que excite em si o espírito de contrição que o levaria a prestar as rigorosas penitências da Igreja antiga; sem este ânimo interior, nada se pode adquirir. Donde se vê que a praxe das indulgências está longe de reduzir a religião a formalismo e mercantilismo.
Deve-se observar também que a Igreja nunca vendeu o perdão dos pecados, nem vendeu indulgências. Mais: quando a Igreja indulgenciava a prática de esmolas, não intencionava dizer que o dinheiro produz efeitos mágicos, mas queria apenas fomentar a caridade ou as disposições íntimas do cristão como fator de purificação interior. Não há dúvida, porém, de que pregadores populares e muitos fiéis cristãos dos séculos XV/XVI usaram de linguagem inadequada ou errônea ao falar de indulgências. Foi o que deu origem aos protestos de Lutero e dos reformadores. Na verdade, é muito difícil ganhar uma indulgência plenária. Quem, ao recitar breve prece indulgenciada ou ao fazer visita a um santuário, pode ter certeza de estar contrito dos seus pecados a ponto de não lhes ter mais o mínimo apego? O velho homem, mais ou menos arraigado em cada cristão, é caprichoso e sorrateiro; para dominá-lo, é necessária assídua vigilância com o auxílio da graça.

A praxe atual
Após o Concílio do Vaticano II, o Papa Paulo VI procedeu a uma revisão da instituição das indulgências, que era e é válida, mas se prestava a equívocos, principalmente pela contagem de dias, meses e anos de indulgência...; esta terminologia supunha condições históricas que haviam caído no esquecimento do público.
Eis alguns traços da respectiva Constituição "Indulgentiarum Doctrina" datada de 1967:
A Igreja continua a conceder indulgências plenárias e indulgências parciais. Aquelas significam a remissão de toda a satisfação correspondente a pecados já absolvidos; estas, a remissão de parte desta satisfação. Fica, porém, abolida a indicação de dias e anos de indulgência parcial. O valor das indulgências parciais é doravante expresso em termos mais compreensíveis. Com efeito. Sabemos que toda boa obra (prece, esmola, mortificação...) tem anexo a si um determinado mérito; se alguém realiza tal obra em espírito de contrição, adquire a remissão de uma parte de sua satisfação purgatória. Pois bem; Paulo VI determinou que as pessoas que praticam uma ação indulgenciada pela Igreja, obtêm (além da remissão anexa ao ato bom como tal) uma igual remissão devida à intervenção da S. Igreja. Isto significa, em última análise, que a medida das indulgências parciais é a medida do arrependimento e do amor a Deus com que alguém pratica a ação indulgenciada; se o cristão a realiza com ânimo rotineiro e tíbio, pouco lucra; ao contrário, quanto mais fervor ele empenhar na execução da obra indulgenciada, tanto mais também será ele indulgenciado.
Vê-se como esta disposição é apta a fazer do instituto das indulgências um estímulo para o afervoramento da piedade dos fiéis.
Para que alguém possa lucrar indulgência plenária, requer-se que, além de executar a obra indulgenciada, faça uma confissão sacramental, receba a Comunhão Eucarística, ore segundo as intenções do Sumo Pontífice (um "Pai Nosso" e uma "Ave Maria", por exemplo) e não guarde o mínimo apego a qualquer pecado, ainda que seja leve. Se alguém puder cumprir, mas de fato não cumprir estas condições, só lucrará indulgência parcial.
A confissão sacramental pode ser efetuada alguns dias antes ou (se não houver pecado grave) depois da obra indulgenciada. A S. Comunhão, porém, e a oração pelo Sumo Pontífice deverão ocorrer no dia mesmo em que se realizar a obra. Basta uma Confissão sacramental para se adquirir mais de uma indulgência plenária. Requer-se, porém, uma Comunhão e uma oração pelo S. Padre para cada indulgência plenária.
O novo catálogo de indulgências assinala várias obras de piedade como indulgenciadas. Antes do mais, porém, propõe três grandes concessões:

a) É concedida indulgência parcial a todo cristão que, no cumprimento de seus deveres e no suportar as tribulações da vida presente, levante a mente a Deus com humildade, confiança, proferindo ao mesmo tempo alguma invocação piedosa (com os lábios ou só com a mente).

b) É concedida indulgência parcial ao cristão que, movido por espírito de fé e misericórdia, coloca a sua pessoa ou os seus bens ao serviço dos irmãos que padecem necessidade.

c) É concedida indulgência parcial ao cristão que, movido por espírito de penitência, se abstenha espontaneamente de algo que lhe seja lícito e agradável.

Mediante estas três normas, a Igreja visa a estimular os seus filhos a uma vida fervorosa, animada por espírito de fé, de amor e de configuração a Cristo.


Autor: d. Estevão Bettencourt
Fonte: Revista "Pergunte e Responderemos" nº 437
Transmissão: José Augusto

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Idolatria







Idolatria é escolher um deus falso














Idolatria é escolher, adorar e servir um deus falso em lugar do Deus verdadeiro. São Paulo definiu muito bem essa prática: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos!” (Romanos 1,25).


Uma das diferenças do Deus verdadeiro do deus falso é que este é “oco”. Por isso, no passado, um dos símbolos dos deuses falsos eram as imagens ocas. Representavam um “deus oco”. Um deus “vazio”, fraco!


Hoje, o grande erro é confundir a idolatria com as imagens. Idolatria é escolher um deus falso. Escolher adorar e servir à criatura em vez do Criador. Essas criaturas são as mais diversas. Não é difícil identificar os deuses falsos de hoje.


Os atuais ídolos, os deuses falsos e “ocos” dos nossos dias são: o Prazer, o Poder e o Ter. Esses são os ídolos, isto é, os “deuses ocos” dos tempos atuais. Por serem ocos não satisfazem nunca os que os buscam. Esta é, por exemplo, uma das razões pelas quais não encontramos nenhum ganancioso que diga: “Tenho dinheiro que chega, estou satisfeito”. Quando o dinheiro se torna um ídolo, um deus oco, ele não preeenche o coração do ser humano.


O mesmo vale para o prazer. Quem faz do prazer um deus, este nunca se satisfaz. Busca-o desenfreadamente e sente-se sempre vazio. Vai à praia, ao jogo de futebol, viaja, come, bebe, mas se sente sempre vazio. Porque está indo atrás de um deus “oco”, de um ídolo.


O mesmo podemos dizer do poder. Quem tem o poder, não para servir, mas para dominar, busca sempre tê-lo mais e nunca está satisfeito. Nesse caso o poder também se transforma num deus falso, oco, um ídolo.


A idolatria é o maior pecado. A árvore da qual brotam os outros nossos pecados. É uma escolha de um deus oco e não um cheio. Por isso, deixa vazios aos que escolhem adorá-la e servi-la.










Padre Alir

segunda-feira, 15 de junho de 2009

GOTAS DE FÉ CATÓLICA

COMPÊNDIO DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

5. Como se pode falar de Deus?
Pode-se falar de Deus a todos e com todos, a partir das perfeições do homem e das outras criaturas, as quais são um reflexo, embora limitado, da infinita perfeição de Deus. É preciso, todavia, purificar continuamente a nossa linguagem de tudo o que contém de imaginativo e de imperfeito, sabendo-se que não se poderá jamais exprimir plenamente o infinito mistério de Deus. 59-45 48-49

6. O que Deus revela ao homem?
Deus, em sua bondade e sabedoria, revela-se ao homem. Com ações e palavras revela a si mesmo e a seu desígnio benevolente, que desde toda a eternidade preestabeleceu em Cristo a favor dos homens. Esse desígnio consiste em fazer com que, pela graça do Espírito Santo, todos os homens participem da vida divina, como seus filhos adotivos no seu único Filho. 50-55 68-69

7. Quais são as primeiras etapas da Revelação de Deus?
Desde o princípio, Deus se manifesta aos primeiros pais, Adão e Eva, e os convida a uma íntima Comunhão com ele. Depois da quedadeles, não interrompe a sua revelação e promete a salvação para toda a descendência deles. Depois do dilúvio, faz com Noé uma aliança entre ele e todos os seres vivos. 54-58 70-71
8. Quais são as etapas seguintes da Revelação de Deus?
Deus elege Abraão, chamando-o para fora de seu país a fim de fazer dele "o pai de uma multidão de nações" (Gn 17,5) e prometendo-lhe abençoar nele "todas as famílias da terra" (Gn 12,3). Os descendentes de Abraão serão os depositários das promessas divinas feitas aos patriarcas. Deus forma Israel corno seu povo de eleição, salvando-o da escravidão do Egito, conclui com ele a Aliança do Sinai e lhe dá, por meio de Moisés, a sua Lei. Os profetas anunciam uma radical redenção do povo e uma salvação que incluirá todas as nações numa Aliança nova e eterna. Do povo de Israel, da estirpe do rei Davi, nascerá o Messias: Jesus. 59-64 72

sábado, 13 de junho de 2009

Cabe à mãe de famílias dedicar-se à santificação dos seus

«Não contente com servir a sua família, a mãe deve dedicar-se à santificação dos seus. É o pedaço de terra que o Pai confiou aos seus incessantes cuidados, a fim de que o cultive na paciência, e o faça frutificar ao cêntuplo, pelo zelo puro e generoso de uma caridade ardente.
A missão divina da mãe de família é uma missão de fé, de virtude, de oração e de sofrimento.

1 - Missão de fé - A ela cabe, em primeiro lugar, falar aos seus filhos de Deus, da Bondade de Jesus Cristo; desenvolver o germe da Fé neles depositado pela Graça do Batismo, zelar-lhes pela inocência, e formá-los bem cedo na piedade cristã e no amor a Jesus Eucarístico.

À mãe cabe conservar e alimentar a Fé da família, afastando rigorosamente tudo o que for apto a escandalizar algum dos seus membros. A fé é o mais precioso tesouro do cristão, e é por meio de santas leituras, de piedosos entretenimentos, que ela fará frutificar estas virtudes nos seus.

2 - Missão de virtude - A mãe de família deve inspirar a virtude e torná-la amável a cada um dos seus. A sua própria virtude será simples e natural, a fim de que os seus filhos sejam naturalmente virtuosos; será doce e afável, como em Jesus e Maria, a fim de lhes conciliar todos os corações; será forte e desinteressada, a fim de se manter sempre igual nas provações e fiel a Deus nos sacrifícios.

Se o esposo que Deus lhe deu é antes um pecador a converter que um cristão a edificar, ela se dedicará com paciência e confiança a essa conversão.

3 - Missão de oração - É sobretudo pela oração que a mãe cristã santifica a sua família; pela oração, completa aquilo que a sua palavra e os seus exemplos esboçaram.

Deus nada recusa à oração constante de uma mãe — e nisso pôs a Sua força e a Sua vitória. A oração, por conseguinte, deve ser o alimento habitual da alma da mãe de família.

A mãe ensinará, muito cedo, os seus filhos a rezar. Tratará, na medida do possível, de fazê-los ela mesma cumprir cada dia esse dever piedoso. Habituá-los-á sobretudo à visita frequente ao Santíssimo Sacramento, levando-os à Igreja desde pequeninos.

4 - Missão de sofrimento - O título de mãe é fruto do sofrimento. Deus assim o quis. O de mãe espiritual se adquire somente no Calvário, ao lado de Maria, Mãe de todos os homens.

Para obter a salvação dos seus, a mãe de família deve, portanto, resignar-se a sofrer, e a sofrer a sós com Jesus e Maria. São, todavia, sofrimentos felizes, que geram almas para a vida da Graça. Filhos de Deus, e cidadãos para o Céu. Quanto maior o sofrimento, quanto mais isento de consolação natural, tanto mais deve a mãe regozijar-se na caridade divina, pois é sinal de que a hora da vitória se aproxima.

Ditosa a mãe que tem a ciência da Cruz e a virtude de Jesus Crucificado, porquanto terá toda a doçura e poder inerentes. Que ela se exerça sem cessar na prática do amor crucificado, que o peça incessantemente, como sendo a Graça mais segura e mais sublime da perfeição.»

(A Divina Eucaristia - volume X - Escritos e Sermões de São Pedro Julião Eymard, pág 139 e 140)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

ORAÇÃO DOS NAMORADOS

GRANDE AMIGO SANTO ANTÔNIO, TU QUE ÉS O PROTETOR DOS NAMORADOS, OLHA PARA MIM, PARA A MINHA VIDA, PARA OS MEUS ANSEIOS. DEFENDE-ME DOS PERIGOS, AFASTA DE MIM OS FRACASSO, AS DESILUSÕES, OS DESENCANTOS. FAZE QUE EU SEJA REALISTA, CONFIANTE, DIGNO(A) E ALEGRE. QUE EU ENCONTRE UMA PESSOA QUE ME AGRADE, SEJA TRABALHADORA, VIRTUOSA E RESPONSÁVEL. QUE EU SAIBA CAMINHAR PARA O FUTURO E PARA A VIDA A DOIS COM AS DISPOSIÇÕES DE QUEM RECEBEU DE DEUS A VOCAÇÃO SAGRADA PARA FORMAR UMA FAMÍLIA. QUE MEU NAMORO SEJA FELIZ E MEU AMOR SEM MEDIDAS. QUE TODOS OS NAMORADOS BUSQUEM A MÚTUA COMPREENSÃO, A COMUNHÃO DE VIDA E O CRESCIMENTO NA FÉ. ASSIM SEJA.

O que é namorar?

Tempo de conhecer o outro
O namoro é dinâmico como a própria vida das pessoas. Hoje, a liberdade é enorme quando se fala desse assunto, o que, aliás, torna-se ocasião para muitos desvirtuamentos nessa área. Coisas que para a geração anterior era impensável, hoje tornou-se comum entre os jovens, como, por exemplo, viajar juntos sem os pais; dormirem na mesma casa, entre outros. Se por um lado essa liberação pode até facilitar a maturidade dos jovens namorados, não há como negar que é uma oportunidade imensa para que o relacionamento deles ultrapasse os limites de namorados e os precipite na vida sexual.
Lamentavelmente tornou-se comum entre os casais de namorados a vida sexual, inadequada nessa fase. O namoro, como já mostramos, é o tempo de conhecer o outro, escolher o parceiro com quem a vida será vivida até a morte, e é o tempo de crescimento a dois. Tudo isso será vivido por meio de um diálogo rico dos dois, pelo qual cada um vai se revelando ao outro, trocando as suas experiências e as suas riquezas interiores. Dessa forma, começa a construção recíproca de cada um, o que continuará após o casamento.

O namoro implica o reconhecimento do outro, a sua aceitação e a comunicação com ele. É diferente conhecer uma pessoa e conhecer um objeto. O objeto é frio, a pessoa é um “mistério”; não pode ser entendida só pela inteligência, pois a sua realidade interior é muito mais rica do que a ideia que fazemos dela pelas aparências. Você só poderá conhecer a pessoa pelo coração e pela revelação que ela faz de si mesma a você. No objeto vale a quantidade, o peso, o tamanho, a forma, o gosto; na pessoa vale a qualidade. O objeto é um problema a ser resolvido; a pessoa é mistério a ser revelado e compreendido. Saiba que você está diante de uma pessoa que é única (indivíduo), insubstituível, original, distinta de todos os outros... Alguém já disse que cada pessoa é “uma palavra de Deus que não se repete”. Não fomos feitos numa fôrma.

No namoro você terá de respeitar essa “individualidade” do outro, para não sufocá-lo. Muitas crises surgem porque ambos não se respeitam como pessoas e únicos. É por isso que as comparações e os padrões rígidos podem ser prejudiciais. Você não pode querer que a sua namorada seja igual àquela moça que você conhece e admira; o seu namorado não tem que ser igual ao seu pai... Cada um é um. A liberdade é uma condição essencial da pessoa. Sem liberdade não há pessoa.

É no encontro com o outro que a pessoa se realiza; e aqui está a beleza do namoro vivido corretamente. Ele leva você a abrir-se ao outro. A partir daí você deixa de ser criança e começa a tornar-se adulto; porque já não olha só para si mesmo. O namoro é esse tempo bonito de intercomunicação entre duas almas. Mas toda revelação implica num comprometimento de ambos e num engajamento de vidas. “Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas”, disse o pequeno príncipe [na obra homônima “O Pequeno Príncipe”].

Você se torna responsável por aquele que se revela a você do mais íntimo do seu ser. Cuidado, portanto, para não “coisificar” a sua namorada. Às vezes, essa coisificação do outro se torna até meio inconsciente hoje. Ela acontece, por exemplo, quando o noivo proíbe a noiva de usar batom ou a proíbe de cortar os cabelos. O marido “coisifica” a esposa quando a obriga a ter uma relação sexual com ele, quando não lhe permite participar das “suas” decisões financeiras e quando a proíbe de ter alguma atividade na Igreja, entre outros. Da mesma forma, o namorado “coisifica” a namorada quando faz chantagens emocionais com ela para conseguir o que quer. Assim como a namorada “coisifica” o namorado quando o sufoca fazendo-o ficar o tempo todo do seu lado, sem que o rapaz possa fazer outros programas com os amigos...

Não faça do outro um objeto nem deixe que o relacionamento de vocês se torne uma “dominação do outro”; mas sim, um “encontro” entre ambos.
Namorar é dialogar! O diálogo é mais do que uma conversa; é um encontro de almas em busca do conhecimento e do crescimento mútuo. Sem um bom diálogo não há um namoro feliz e bonito. É pelo diálogo que o casal – seja de namorados ou cônjuges – aprende a se conhecer, ajuda-se mutuamente a corrigir suas falhas, vence as dificuldades, cultiva o amor, se aperfeiçoa e se une cada vez mais.

Os namorados que sabem dialogar sabem escolher bem a pessoa adequada, fazendo uma escolha com lucidez e conhecimento maduro. Para haver diálogo você precisa aprender a ouvir o outro; a ter paciência para entender o que ele quer dizer, e, só depois, concordar ou discordar. Seja paciente, não corte a palavra do outro antes que ele a complete. Lembre-se: diálogo não é discussão. É preferível “perder” uma discussão do que dominar o outro.

À medida que o tempo for passando, o diálogo amadurecendo e o namoro se firmando, então será necessário conversar sobre as coisas do futuro, para se saber quais as aspirações que cada um traz no coração, e se elas se coadunam mutuamente. Não se trata de ficar sonhando no vazio sobre o futuro, mas de começar a escolher e a preparar a vida que ambos vão viver e construir amanhã: a família, os filhos, entre outros projetos.

Nada de real se faz nesta vida sem um sonho, um projeto, um plano e uma construção. Se de um lado, sonhar no vazio é uma doce ilusão; por outro, refletir sobre o que se quer construir no futuro é uma necessidade. É assim que nasce um lar.



Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com Prof. Felipe Aquino, casado, 5 fihos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de Aprofundamentos no país e no exterior, já escreveu 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Conheça mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br

terça-feira, 9 de junho de 2009

Corpus Christi, Festa Eucarística

1. A Eucaristia nos enche de enlevo. É o sacramento mais suave para a devoção, o mais belo para a inteligência, o mais santo pelo que encerra. É maior dos milagres, mistério inefável da fé, tesouro que a Igreja recebe de seu Esposo como penhor de amor imenso. É
força para dominar as paixões e prevenir faltas graves; alimenta as virtudes, consola os aflitos, fortifica os fracos, educa os costumes, ensina a humildade e simplicidade. É vida da alma, saúde do espírito, vigor da vida, força da concórdia, “coração e centro da liturgia”. (Paulo VI)


2. Cada um de nós na Eucaristia é amado ao extremo, com um amor-entrega, amor ao exagero, amor sem medidas, amor imolado, que nos faz sensíveis aos sofrimentos, misérias e injustiças, nos faz misericordiosos.

3. Jesus eucarístico é o maior bem da Igreja, a melhor catequese, a saciedade das fomes do mundo inteiro. Ele que nos assimila. Somos uma só coisa com Ele, um só espírito (ICor 6,17). A todos os que comungam Jesus diz: sois ossos de meus ossos, carne de minha carne (Gn 2,23). Assim a carne do irmão não é nossa, é do Senhor. O outro é seu tabernáculo. Jesus poderia transformar pedras em pão, preferiu transformar o pão em seu corpo e Pedro em rocha. A Eucaristia prenuncia muitas transformações: a morte em ressurreição; o pão e o vinho no corpo e sangue do Senhor; a criação em novo céu e nova terra e enfim nossa transformação pessoal.

4. Na Eucaristia encontramos Jesus vivo, amigo, confidente, pois os amigos se freqüentam, dedicam tempo um ao outro. O sacrário é um pólo de atração e de irradiação pastoral. O Senhor ali está em ação, pois a Eucaristia é um sacramento dinâmico. É um mistério de presença onde Jesus nos espera e nos procura. Ele está presente mas nós muitas vezes estamos distantes. “Se quereis receber poucas graças fazer poucas visitas a Jesus sacramentado, se ao contrário, quereis muitas graças muitas graças fazei muitas visitas” (Dom Bosco).

5. Sem Eucaristia sofremos fome e solidão. Quanto mais eucarísticos, melhores seremos, mais humanos e mais cristificados. Nada mais suave, nem mais eficaz que a Eucaristia para nos conduzir à santidade (João Paulo II). Aquele que céu não pode conter, é nosso inquilino, nosso vizinho, nosso prisioneiro no sacrário, e a mais bela catedral é o coração humano. A procissão de Corpus Christi recorda o êxodo, a saída para a terra prometida, a marcha da liberdade, a peregrinação em direção ao próximo, a caminhada para a missão, a viagem definitiva para a Casa do Pai. A Igreja é o “caminho” (Atos 9,2). O Sacramento do altar nos faz Igreja pé na estrada, Igreja que vai ao povo. Jesus é o companheiro de nossas estradas.

6. A Eucaristia é tesouro espiritual da Igreja, plena manifestação do amor, vida da Igreja, mistério de luz, fonte inesgotável de santidade, mistério de misericórdia e do amor sem limites, remédio de imortalidade, um pedaço do céu na terra, um raio de glória. Nela se dá a transformação do mundo, porque é o sacramento supremo da paz e da unidade, é um tesouro demasiado grande e precioso. Isso gera um grande enlevo. Sua celebração não permite reduções nem instrumentalizações. É estimulo na peregrinação e na dedicação diária ao trabalho, à família, aos irmãos. Sendo a celebração do lava pés, não pode ser celebrada num contexto de discórdia e de indiferença pelos pobres. Tal celebração seria indigna. A adoração e visita ao Santíssimo Sacramento deve ser estimulada. É bom demorar-se com o Senhor, dedicar tempo ao Amigo, inclinar-se sobre seu peito, deixar-se tocar pelo amor infinito do seu coração. Adoração é atitude de amor. É a primeira das devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós. (João Paulo II).


Dom Orlando Brandes Bispo de Londrina - PR

segunda-feira, 8 de junho de 2009

GOTAS DE FÉ CATÓLICA


Estarei postando diariamente ou quando possível alguns parágrafos do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica. Essa postagem terá o título de Gostas de Fé Católica. Bom proveito! Paz e Bem!

GOTAS DE FÉ CATÓLICA

l. Qual é o desígnio de Deus para o homem?
Deus, infinitamente perfeito e bem-aventurado em si mesmo, por um desígnio de pura bondade, criou livremente o homem para fazê-lo participar da sua vida bem-aventurada. Na plenitude dos tempos, Deus Pai enviou seu Filho como redentor e salvador dos homens caídos no pecado, convocando-os para sua Igreja e tornando-os filhos adotivos por obra do Espírito Santo e herdeiros da sua eterna bemaventurança. 1-25

2. Por que há no homem o desejo de Deus?
O próprio Deus, ao criar o homem à própria imagem, inscreveu no coração dele o desejo de o ver. Ainda que esse desejo seja com frequência ignorado, Deus não cessa de atrair o homem a si, para que viva e encontre nele aquela plenitude de verdade e de felicidade que procura sem descanso. Por natureza e por vocação, o homem é, portanto, um ser religioso, capaz de entrar em comunhão com Deus. Essa íntima e vital ligação com Deus confere ao homem a sua fundamental dignidade. 27-50 44-45

3. Como se pode conhecer a Deus apenas com a luz da razão?
Partindo da criação, ou seja, do mundo e da pessoa humana, o homem pode, simplesmente com a razão, conhecer com certeza a Deus como origem e fim do universo e como sumo bem, verdade e beleza infinita. 51-36 46-47.

Compêndio do Catecismo da Igreja Católica

Busque seu companheiro no lugar certo!


“O Senhor Deus disse: 'Não é bom para o homem ficar sozinho. Quero fazer para ele uma ajuda que lhe seja adequada'” (Gênesis 2, 18).


A palavra “homem” não se refere aqui apenas ao másculo, mas sim, ao homem como criatura humana. Portanto, não é bom para o homem nem para a mulher ficar só. Deus não quis a solidão. A ajuda adequada para a purificação do homem é a mulher e para a purificação da mulher a ajuda necessária é o homem.


A primeira mulher pecou: foi Eva. Porém, a mulher que Deus quer para você homem é uma Maria. É preciso, então, empenhar-se em procurá-la: não se agarre à primeira que aparecer! Existem muitas que querem viver a pureza e a santidade no casamento. São as mulheres da maneira que Deus criou. São como as santas mulheres da Bíblia: Sara, Ester, Judite...e como as mulheres santas que temos na Igreja: Teresa, Clara de Assis, Teresinha, Maria Gorete, Rita de Cássia...


É uma grande tolice pensar que mulheres assim não existem mais. O desafio é buscá-las no lugar certo, porque as procurar em boates e em ambientes promíscuos jamais vai encontrá-las. Porém, há uma mulher santa para cada rapaz que quiser ser santo. E quando você encontrá-la seja sério! Respeite-a profundamente e jamais queira testá-la segundo os moldes do mundo. Seria uma irresponsabilidade! Ela também está nesse processo de purificação buscando a santidade. Este “querer experimentar” é porta aberta para a tentação, e aí você nunca vai encontrar nenhuma Maria!


Seria como ir a uma loja de sapatos, escolher um par, experimentar e sair andando pelas ruas. Depois de usar e estragar, retornar à loja querendo trocar por um novo. Quem vai querer o calçado que já foi usado?


Somos como os peixes na piracema, se não lutarmos e nos deixarmos levar pela correnteza, morreremos! Não ceda! Precisamos povoar céus novos e terras novas com homens e mulheres novos. Se você destruiu sua vida, Deus pode refazê-la. Basta você permitir.


Seu irmão,Monsenhor Jonas Abib

sábado, 6 de junho de 2009

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INÍCIO DA VIDA

Bioética: 18 perguntas e respostas
Do site Presbiteros.com.br

ENTREVISTA SOBRE O INÍCIO DA VIDA

Para esclarecer algumas questões fundamentais sobre o início da vida humana entrevistamos o coordenador da Pós-graduação em Bioética da PUC-Rio, Prof. André Marcelo M. Soares, que é filósofo e doutor em Teologia com pós-doutorado em Bioética. Além disso, é membro do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Instituto Nacional de Câncer (INCA), membro da Comissão de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e membro da Equipe de Apoio da Seção Vida do Consejo Episcopal Latinoamericano (CELAM).

1. Por que a vida humana deve ser respeitada sempre?

R.: Ao falar de vida humana, não estamos apontando simplesmente para a constituição de sua identidade genética, distinta de qualquer outro ser. O que torna a vida humana diferente da vida dos demais seres vivos é o fato dela poder ser definida não só por sua dimensão biológica, mas também por sua dimensão espiritual. Essa dimensão se concretiza naquilo que chamamos de pessoa, que tem um sentido que ultrapassa todas as esferas fisiológicas. Por pessoa humana entendemos a vida desde sua origem. Pois, desde a concepção, a vida humana possui todas as potencialidades para se desenvolver no ser humano que estamos acostumados a ver em nós e nos outros que convivem conosco no dia a dia. Aquele ser que acabou de ser gerado não é uma vida em potencial, mas uma vida humana com potencialidades, tanto fisiológicas quanto espirituais. É verdade que somos seres biológicos, mas não seríamos humanos se não possuíssemos uma dimensão reflexiva, social, cultural, política e espiritual. Afinal, a vida humana não pode ser reduzida a um conjunto de células, pois o que somos hoje se deve ao que ocorreu no dia em que fomos concebidos.

2. O que é um embrião humano?

R.: Trata-se do indivíduo que se forma após a concepção, ou seja, no momento da fusão entre as células reprodutivas masculina (espermatozóide) e feminina (óvulo). O embrião passa por alguns estágios de desenvolvimento. O primeiro deles chamamos de zigoto, célula que se forma depois da fusão entre o espermatozóide e o óvulo. A seguir, inicia-se uma lenta viagem da Trompa de Falloppio para o útero. Neste momento, começa a ocorrer no zigoto uma divisão celular, fazendo surgir, depois das 30 horas da fecundação, dois blastômeros (duas células). Entre 40 e 50 horas, já são quatro blastômeros e por volta das 60 horas já são oito. Durante a viagem até o útero, o ovo (célula resultante da fusão entre espermatozóide e óvulo) passa de 12 para 32 células, estágio chamado de mórula (massa esférica cheia de células parecida com uma amora) e no quinto dia, agora no estágio de blastocisto, se fixa na parede do útero (processo conhecido por nidação), onde passa a se desenvolver até o nascimento.

3. O que é um feto humano?

R.: É o último estágio de desenvolvimento embrionário e é alcançado na oitava semana de gestação até a ocasião do nascimento.

4. O embrião ou feto humano pode ser sacrificado para beneficiar um outro ser humano?

R.: Não. Pois não há como afirmar, de modo absoluto, que “há mais vida humana” em um adulto ou em todo aquele já nascido, do que em um embrião ou feto. A dignidade que a vida humana possui em seu estágio adulto é a mesma em seu período de vida intra-uterina. Sendo assim, uma vida não pode ser utilizada como um mero instrumento de reposição para beneficiar outra. Destruir a vida de um embrião ou feto é destruir a vida de um semelhante. Não podemos afirmar que o embrião ou o feto não é um de nós. É preciso não confundir o valor da vida com o valor que cada um dá a sua própria vida. Embora muitos não valorizem a vida humana, o fato é que seu valor independe do modo de vida que cada indivíduo escolheu para si.

5. Fala-se em “interromper a gravidez”. É o mesmo que aborto?

R.: A palavra aborto vem do latim (aborior) e significa morrer antes do nascimento. O aborto pode ser espontâneo ou provocado. No primeiro caso não é desejada pela mãe a interrupção da gravidez. Este tipo de aborto pode ser causado por uma série de distúrbios próprios do organismo da mãe ou do desenvolvimento do embrião. Já no segundo caso, o do aborto provocado, ocorre quando há um desejo da mãe de não levar adiante a gravidez. Neste caso, ela recorre a alguma técnica cirúrgica (aspiração, embriotomia etc) ou farmacológica (pílula do dia seguinte, pílula RU486 etc) para interromper a evolução embrionária. Desta forma, podemos dizer que a interrupção da gravidez sempre decorre de um aborto, espontâneo ou não.

6. Que são células-tronco? Para que servem?

R.: Células-tronco são células indiferenciadas, ou seja, aquelas que por estarem presentes no embrião desde a sua primeiríssima fase, até seu estágio de mórula, ainda não receberam uma função específica para ser desempenhada no organismo. Estas células são como um “tronco”, do qual vão sendo originadas todas as células especializadas (hemácias, leucócitos, neurônios etc) e, portanto, diferenciadas. Neste sentido, toda linhagem celular e tecidos são originados pelas células-tronco. Elas são as responsáveis pelo desenvolvimento de todo o organismo. Atualmente, alguns cientistas desejam utilizar as células-tronco para salvar vidas. O problema moral está no fato de que para isto ocorrer será necessário interromper a gravidez e eliminar o embrião.

7. Distinguem-se células-tronco embrionárias das células-tronco adultas. Em que consiste a diferença?

R.: As células-tronco embrionárias (aquelas que se encontram no organismo desde a primeira fase do desenvolvimento do embrião) são consideradas totipotentes, porque juntas ou separadas têm um potencial para produzirem todo o desenvolvimento do organismo. Todavia, nas fases que sucederão a formação da mórula, as células vão se diferenciando e passam a ter potencialidades bem distintas, assumindo funções especializadas no organismo. Deste modo, elas perdem sua condição de totipotência e passam a ser pluripotentes. As células-tronco pluripotentes são as responsáveis pela formação dos tecidos presentes no organismo adulto, mas isoladas jamais podem dar origem ao organismo todo, o que só ocorre na qualidade de totipotência. O período de pluripotência é limitado. Pois do oitavo ao décimo quarto dia, vão se formando três camadas celulares (endoderma, ectoderma e mesoderma). Destas camadas são originados os tecidos, os órgãos internos, os órgãos externos e as células reprodutivas. Nesta fase, as células-tronco passam a ser multipotentes, ou seja, sua função dentro da formação do organismo já está determinada. As chamadas células-tronco adultas são multipotentes, podendo dar origem ao tecido celular onde residem. Em algumas regiões do organismo (medula óssea, placenta e sangue do cordão umbilical, por exemplo) é possível encontrar células-tronco especializadas com um bom potencial de adaptabilidade. Com a aplicação da técnica adequada, estas células podem servir na regeneração de tecidos celulares distintos. Este procedimento é eticamente aceitável, porque nele não se faz necessário à interrupção da gravidez e a morte do embrião.

8. Em termos de utilidade para a biomedicina e o bem estar das pessoas, há diferenças significativas entre elas?

R.: As células-tronco embrionárias, por serem totipotentes, têm uma capacidade ilimitada de se tornarem qualquer tecido. Por outro lado, elas podem apresentar sérios problemas de compatibilidade. Já as células-tronco adultas estão presentes no organismo em pequena quantidade e nem sempre se proliferam in vitro, porém não apresentam as complicações decorrentes da rejeição, pelo fato de serem retiradas de um indivíduo para serem utilizadas nele próprio. Além disso, não há diferenças significativas entre elas para o uso terapêutico. A única diferença se dá no território da ética.

9. Por que se diz que é inaceitável a manipulação das células-tronco embrionárias, enquanto se aceita o uso das células-tronco adultas?

R.: Todo o problema moral em torno do uso das células-tronco embrionárias (totipotentes) está no fato de que para sua obtenção é necessário que se interrompa o desenvolvimento do embrião, causando, assim, um aborto. Já as células-tronco adultas podem ser retiradas do ser humano sem a necessidade de destruir o embrião.

10. Quais as conseqüências do uso de embriões humanos para o futuro da humanidade?

R.: É uma falácia acreditar que sem o uso de embriões não será possível avançar na descoberta da cura de doenças. É preciso observar que conseguimos alcançar, até este ponto da evolução científica e tecnológica, a solução para diversos males, sem nunca ter necessitado utilizar embriões. Até hoje não se sabe, ao certo, o que decorre da utilização de células-tronco embrionárias num ser humano. Pesquisas realizadas em animais apresentaram, após o tratamento com células-tronco embrionárias, o aparecimento de tumores e a formação de verdadeiras aberrações. O uso de embriões pode trazer, contrariamente do que tem sido afirmado levianamente na mídia, uma série de prejuízos no campo da saúde e da moral. Os defensores do uso de embriões partem sempre de premissas relativistas e utilitaristas. A vida começa na fecundação. Isso é evidente e não é relativo. Interromper o desenvolvimento de um embrião é interromper uma vida em formação. Isso é evidente e não é relativo. Usar embriões para fins aparentemente beneficentes é uma violação da dignidade humana. Afinal ninguém, de bom senso, mata um bebê para lhe tirar o fígado ou coração como propósito de salvar outra vida. Quem possui este bom senso sabe também que o bebê está em desenvolvimento, tanto quanto um embrião e é tão vivo quanto um embrião. Isso é evidente e não é relativo.

11. É ético congelar embriões?

R.: Não. Poderíamos responder a esta pergunta com uma outra: é ético congelar uma pessoa de 20 anos de idade? A resposta desta pergunta já nos orienta para uma compreensão do embrião como vida humana, que deve seguir seu curso normal e ser respeitada desde o seu início. O embrião congelado representa, no universo do desejo de maternidade ou paternidade, somente uma possibilidade. Quando este desejo se realiza, o embrião que restou já não tem mais valor, literalmente se tornou desnecessário. É evidente que os desejos de maternidade e paternidade devem ser respeitados, mas a vida é um valor bem maior do que qualquer desejo, seja ele qual for.

12. Qual é o resultado atual do uso de células-tronco adultas para a recuperação de órgãos e outras aplicações?

R.: No Brasil já são comprovados os bons resultados obtidos com o uso de células-tronco adultas no tecido cardíaco. Em várias regiões do país, pesquisadores tentam ampliar o campo de aplicação das células-tronco adultas. Também no exterior, muitas são as pesquisas e as publicações científicas que apresentam resultados consideráveis.

13. Qual é a situação dos bebês anencéfalos? Têm morte cerebral?

R.: A expressão anencefalia (ausência do encéfalo) não parece muito adequada. O mais apropriado é o termo meroanencefalia (ausência de uma parte do encéfalo). Isto se justifica porque, sendo o encéfalo um termo muito complexo, falar de sua ausência total pode indicar uma imprecisão. A anencefalia, assim chamada comumente, é um mal congênito, isto é, ocorrido durante o desenvolvimento embrionário. As causas podem ser variadas, como a ausência de ácido fólico no organismo materno. Os anencéfalos podem viver horas e até dias. Dependendo do grau de anencefalia, estes bebês podem ter alguns movimentos, além de respirar. De modo geral, possuem alguma atividade tronco-encefálica e, justamente por este motivo, não podemos dizer que houve aí morte cerebral. No caso de morte cerebral, o cérebro não dá mais comandos para o resto do corpo e respiração é mantida mecanicamente.

14. A gravidez de um anencéfalo põe em risco a vida da mãe?

R.: É preciso, antes de tudo, considerar que qualquer gravidez envolve riscos. Desta regra não escapa a gravidez de anencéfalos. Em outras palavras, os riscos para uma gravidez de anencéfalo são os mesmos para uma gravidez comum. É preciso levar em conta também que a proporção de anencéfalos nascidos é bem menor do que a dos demais bebês. Vale dizer também que não se observa no número de mulheres que morrem durante a gravidez ou no parto o fato de estarem todas grávidas de anencéfalo.
15. O sofrimento de uma mãe neste estado justifica o abortamento do bebê?
A vida e o sofrimento dele não conta? R.: Apesar de o sofrimento ser muito grande para uma mulher grávida de um bebê anencéfalo, o abortamento não se justifica. Trata-se, antes de tudo, de uma vida humana. O anencéfalo não terá a mesma qualidade de vida que um bebê normal, mas isto não significa que não tenha a mesma dignidade. Muitos confundem dignidade com viabilidade. A dignidade não está vinculada a um órgão específico. Pela ausência de uma parte do encéfalo o bebê não será um ser humano como os demais, mas será um ser humano e, justamente por isso, terá de ser respeitado até o fim. A deficiência de um ser humano não o torna menos digno, mesmo quando esta deficiência é uma meroanencefalia. Os que defendem o aborto para diminuir o sofrimento do anencéfalo são os mesmos que, curiosamente, definem a anencefalia como morte cerebral. Bom, se há morte cerebral não há sofrimento. Por outro lado, se há sofrimento é porque está vivo. A vida de um anencéfalo é curta e durante seu curso tudo será feito para que não haja nenhum sofrimento, o que ocorre com qualquer outro tipo de paciente. O sofrimento é objeto do cuidado médico. A Medicina não existe para matar pessoas que sofrem, mas para lhes dar o alívio da dor e, dentro de suas reais possibilidades, a cura.
16. Quais as implicações psicológicas para a mãe que interrompe a gravidez de um bebê anencéfalo?

R.: Ao levar a gravidez de um anencéfalo até o fim, a mulher sofre muito. Mas é igualmente verdade que o sofrimento não é menor quando se apela para o aborto. Em todos os casos o sofrimento é incalculável, pois não existe instrumento que possa medir e comparar um sofrimento com outro. No entanto, ao abortar um anencéfalo os conflitos psicológicos podem se traduzir em traumas e sentimentos de culpa que acompanharão a mulher por toda a sua vida.
17. Como amparar a mãe durante a gravidez de uma criança anencéfala?

R.: O afeto é essencial neste momento. Será preciso deixar claro que a anencefalia não é um castigo e nem culpa da mãe. Algumas mulheres acreditam que tal fato ocorreu porque em determinada altura da gravidez houve, de sua parte, um sentimento de rejeição. Tais pensamentos devem ser eliminados. O casal deve estar bem unido e numa constante troca de sentimentos e atenção. O marido deve encorajar sua esposa a manter firme a esperança e manifestar a ela seu amor nos momentos de maior angústia e apreensão. O médico deve respeitar o momento difícil e expor, com simplicidade e abertura, todo os fatos que envolvem aquela circunstância. Os familiares e os amigos, respeitando os sentimentos da mãe, devem demonstrar maturidade nas posições, sem a intenção de induzir posturas contra a vida. Neste momento vale falar sobre o sentido da vida e dizer que um bebê anencéfalo não é uma coisa ou um monstro, mas um ser humano que apresentou falhas no curso do seu desenvolvimento e isso o levou a uma deficiência incorrigível.

18. Há absoluta certeza na palavra médica que diagnostica a anencefalia?

R.: Atualmente é possível diagnosticar a anencefalia sem muito erro, mas é bom esclarecer que há graus de anencefalia. Como foi mencionado anteriormente, o termo mais adequado é meroanencefalia, porque indica que parte do encéfalo está ausente. Pois o grau da anencefalia está relacionado com a parte ausente.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

ANO SACERDOTAL

Cardeal Hummes: ano para mostrar amor da Igreja aos sacerdotes (II)
Entrevista com o cardeal Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero
Por Carmen Elena Villa

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 5 de junho de 2009 (ZENIT.org).- No próximo dia 19 de junho, o Papa Bento XVI inaugurará na Basílica de São Pedro o Ano Sacerdotal, com o tema: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”.

Durante este ano, Bento XVI proclamará São João Maria Vianney como “padroeiro de todos os sacerdotes do mundo”. Também será publicado o “Diretório para os confessores e diretores espirituais”, assim como uma recopilação de textos do Papa sobre temas essenciais da vida e da missão sacerdotal na época atual.
Zenit conversou com o cardeal brasileiro Claudio Hummes, O.F.M., prefeito da Congregação do Clero e bispo emérito de São Paulo, que apresenta este Ano como “propositivo” e como uma oportunidade para que os sacerdotes recordem que “a Igreja os ama, que se preocupa com eles”. A primeira parte desta entrevista foi publicada ontem.
– Como o senhor acha acha que deve ser a formação de um seminarista nos âmbitos pessoal, espiritual, intelectual e litúrgico? Que aspectos acha que não podem faltar?
– Cardeal Hummes: A Igreja fala de quatro dimensões que devem ser cultivadas com os candidatos.
Em primeiro lugar, a dimensão humana, a afetiva – toda questão de sua pessoa –, sua natureza, sua dignidade e uma maturidade afetiva normal. Isso é importante, porque é a base.
Depois está a dimensão espiritual. Hoje nos encontramos diante de uma cultura que já não é nem cristã nem religiosa. Portanto, é ainda mais necessário desenvolver bem a espiritualidade nos candidatos.
Existe também a dimensão intelectual. É necessário estudar filosofia e teologia para que os sacerdotes sejam capazes de falar e de anunciar Jesus Cristo e sua mensagem hoje, de modo que se evidencie toda a riqueza do diálogo entre a fé e a razão humana. Deus é o Logos de tudo e Jesus Cristo é sua explicação.
Depois, obviamente, está a dimensão de apostolado, ou seja, deve-se preparar estes candidatos para ser pastores no mundo de hoje. Neste âmbito pastoral, hoje é muito importante a identidade missionária. Os sacerdotes devem ter não só uma preparação, mas também um estímulo forte para não limitar-se só a receber e oferecer o serviço àqueles que vem para vê-los, mas também para sair em busca das pessoas que não vão à Igreja, sobretudo daqueles batizados que se afastaram porque não foram suficientemente evangelizados, e que têm o direito de sê-lo, porque prometemos levar Jesus Cristo, educar na fé.
Isso muitas vezes não se fez ou se fez muito pouco. O sacerdote deve ir em missão e preparar sua comunidade para que vá anunciar Jesus Cristo às pessoas, ao menos àqueles que estão no território de sua paróquia, mas também mais além desta.
Hoje, esta dimensão missionária é muito importante. O discípulo se converte em missionário com sua adesão entusiasta, alegre a Cristo, capaz de revestir d’Ele incondicionalmente toda sua vida. Devemos ser como os discípulos: fervorosos, missionários, alegres. Nisto consiste a chave, o segredo.
– Que atividades especiais vão realizar neste ano, tanto para os jovens como para os próprios sacerdotes?
– Cardeal Hummes: Haverá iniciativas no âmbito da Igreja universal, mas o ano do sacerdote deve ser celebrado também a nível local. Ou seja, nas igrejas locais, nas dioceses e nas paróquias, porque os sacerdotes são os ministros do povo e devem incluir as comunidades.
As dioceses devem impulsionar iniciativas tanto de aprofundamento como de celebração, para levar aos sacerdotes a mensagem de que a Igreja os ama, respeita, admira e se sente orgulhosa deles.
O Papa abrirá o Ano Sacerdotal em 19 de junho, na festa do Sagrado Coração de Jesus, porque é a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes. Haverá vésperas solenes celebradas na basílica vaticana, estará presente a relíquia do Cura d’Ars. Seu coração estará na Basílica como sinal da importância que o Papa quer dar aos sacerdotes. Esperamos que muitos sacerdotes estejam presentes.
O encerramento acontecerá um ano depois. Ainda está por definir-se a data exata do grande encontro do Papa com os sacerdotes, ao qual estão convidadas todas as dioceses. Haverá outras muitas iniciativas. Estamos pensando também em realizar um congresso teológico internacional nos dias precedentes ao encerramento. Também haverá exercícios espirituais. Esperamos também poder envolver as universidades católicas, para que possam aprofundar no sentido do sacerdócio, na teologia do sacerdócio e em todos os temas que são importantes para os sacerdotes.
– O senhor poderia falar-nos agora dos desafios que um sacerdote enfrenta nesta sociedade tão antirreligiosa? Como crê que pode permanecer fiel a sua vocação?
– Cardeal Hummes: Em primeiro lugar, a Igreja, através de seus seminários e formadores, deve fazer uma seleção muito rigorosa dos candidatos. Depois, é necessário ter uma boa formação, fundamentalmente na dimensão humana, intelectual, espiritual, pastoral e missionária. É fundamental recordar que o sacerdote é discípulo de Jesus Cristo e estar seguro de que tenha tido este encontro pessoal e comunitário intenso com Jesus Cristo, tenha lhe dado sua adesão. Cada missa pode ser um momento muito forte para este encontro. Mas também a leitura da Palavra de Deus.
Como dizia João Paulo II, há muitas oportunidades para testemunhar o encontro com Jesus Cristo. É fundamental ser um missionário capaz de renovar este zelo sacerdotal, de sentir-se alegre e convencido de sua missão e de conscientizar-se de que isso tem um sentido fundamental para a Igreja e para o mundo.
Sempre digo que os sacerdotes não são importantes só pelo aspecto religioso dentro da Igreja. Desempenham também um grandioso trabalho na sociedade, porque promovem os grandes valores humanos, estão muito perto dos pobres com a solidariedade, a atenção pelos direitos humanos. Creio que devemos ajudá-los para que vivam esta vocação com alegria, com muita lucidez e também com coração, para que sejam felizes, dado que se pode ser feliz no sacrifício e no cansaço.
Ser feliz não está em contradição com o sofrimento. Jesus não era infeliz na cruz. Sofria tremendamente, mas estava feliz, porque sabia que o fazia por amor e que isto tinha um sentido fundamental para a salvação do mundo. Era um gesto de fidelidade a seu Pai.
– Que outros santos o senhor acha acha que podem ser modelos para o sacerdote de hoje?
– Cardeal Hummes: Obviamente, o grande ideal é sempre Jesus Cristo, o Bom Pastor. No caso dos apóstolos, sobretudo São Paulo. Celebramos o Ano Paulino. Vê-se que ele era uma figura realmente impressionante e que pode ser sempre uma grande inspiração para os sacerdotes, sobretudo em uma sociedade que já não é cristã.
Cruzou as fronteiras de Israel para ser apóstolo dos gentios, dos pagãos. Em um mundo que está se afastando tanto de qualquer manifestação religiosa, seu exemplo é fundamental. São Paulo tinha esta consciência muito forte: Jesus veio para salvar, não para condenar. É a mesma consciência que devemos ter nós diante do mundo de hoje.

terça-feira, 2 de junho de 2009

ALMA DE CRISTO


Alma de Cristo - Jesus Ressuscitou

Alma de Cristo
(Santo Inácio de Loyola)



Alma de Cristo, santifica-me.



Corpo de Cristo, salva-me.



Sangue de Cristo, inebria-me.



Água do lado de Cristo, lava-me.



Paixão de Cristo, conforta-me.



Ó bom Jesus, ouve-me.



Dentro de Tuas chagas, esconde-me.



Não permitas que me separe de Ti.



Do espírito maligno, defende-me.



Na hora da minha morte, chama-me.



E manda-me ir para Ti, para que Te louve com os teus Santos, por todos os séculos dos séculos.
Amém.

MÉTODO VER, JULGAR E AGIR

VER, JULGAR E AGIR
O tradicional método "ver, julgar e agir" muito usado em estudos, reflexões, palestras e partilhas em grupo, foi enriquecido com mais duas dimensões: "rever e celebrar". Talvez seja um dos métodos mais práticos e eficientes na ação evangelizadora. Ele desperta o senso crítico e leva a assumir compromissos na transformação da sociedade, da comunidade e das pastorais.
Na evangelização, esse método:
  • parte das necessidades dos participantes;
  • permite vincular a teoria à prática;
  • envolve as pessoas, exigindo participação;
  • desenvolve a capacidade de compromisso;
  • ajuda a diminuir gastos,tempo;
  • evita a improvisação e desorganização;
  • ativa a criatividade e a co-responsabilidade.

As etapas deste método não são estanques, nem acontecem separadamente, mas uma depende da outra.
VER - informar sobre a realidade... como olhar a realidade para conseguir ver o VER? A realidade humana é muito complexa, é um mmistério, nunca a conheceremos na sua totalidade. Deve-se mergulhar na realidade, inserir-se, encarnar-se, tendo como modelo Jesus Cristo que se encarnou, viveu a vida dos homens e assumiu as nossas fraquezas e limitações, ajudando-nos a superá-las. Para abordar a realidade, é preciso partir dos cinco campos principais: econômico, político, social, ideológico e religioso.
JULGAR - formar novos paradigmas... O julgar tem o sentido de iluminar, de criticar, de confrontar a realidade à luz da óptica cristã, na fidelidade a Deus, aos irmãos e à vida. Trata-se de:
analisar as causas e consequências dos fatos;
questionar criticamente o que se vê
discernir o que está ou não a serviço da vida.

O "julgar" na evangelização tem como critérios: o respeito à vida e à dignidade humana, o bom senso e os valores evangélicos.

O "julgar" exige:
  • conhecimento da realidade humana e social;
  • discernimento crítico à luz da fé e do evangelho;
  • escuta da palavra que se revela nos acontecimentos;
  • conhecimento da doutrina da Igreja;
  • capacidade de superar preconceitos.

Cada pessoa tem uma parte da verdade e na transformadora da realidade constatada.

AGIR - transformar a realidade.... o "agir" não é fazer coisas, mas é ação transformadora da realidade constatada.

O "agir" evangelizador:
  • é uma nova atitude diante da vida;
  • é uma transformação pessoal e integral;
  • tem consequência na sociedade;
  • é o resultado do " ver" e "julgar"
  • compromete toda a comunidade eclesial.

O "agir" tem momentos oportunos para acontecer. Devemos ter paciência, evitar a acomodação, mas sem cair no ativismo, lembrar que, através da nossa ação, Deus age na história.

REVER - avaliar, ver-de-novo... Avaliar é ver "hoje" o que fizemos "ontem" para melhorar o agir de "amanhã". É uma parte importante do método e, às vezes, é esquecida. O "avaliar" é um novo ponto de partida do método, porque é um novo "VER" que exige um novo "JULGAR" para dar sequência ao "AGIR".

CELEBRAR - Deus caminha conosco... Como cristãos, unimos a fé à vida. Por isso, celebramos nossas conquistas, esperanças e tristezas, nossa conversação, união e organização.
A celebração é a ocasião em que:
louvamos a Deus pela sua presença libertadora nas vitórias do povo;
agradecemos pelo seu amor gratuito;
reconhecemos as limitações, infidelidades a seu plano de amor;
assumimos o compromisso de viver fraternidade, solidariedade e justiça.

Decididos pela castidade


Decididos pela castidade (Parte I)

Formação



Certa vez, tivemos em oração a seguinte imagem: Da plateia vinham demônios se projetando em cima dos músicos e dos cantores, demônios rindo das pessoas que faziam parte dela [plateia]. A imagem é muito forte! Ela mostra o que acontece na realidade. Não se pode ser inocente! Você, menina, que toca e canta, quando se prepara para essas apresentações, num palco, num altar, num encontro... você deve se pentear, se maquiar como Maria e unicamente como Maria! Por amor a Deus! Mesmo se penteando, maquiando e se vestindo como a Santíssima Virgem Maria, você ainda corre riscos, porque as pessoas estão com a sensibilidade aguçada nesses momentos. Mas se você se veste como uma “Madona”, com todos os requintes da sensualidade... Não, minha filha! Num conjunto de Deus ou se é santa ou nada!


Tenha realmente uma decisão de castidade nas suas vestes, na sua pintura, no seu penteado... Viva a castidade, e esta vai se mostrar nas suas roupas, dos pés à cabeça, nas jóias, nas bijuterias que você usa... em tudo. Tudo pela santidade. Tudo como Maria. Vivendo na castidade. Sempre se proponha: Quero ser pura e inspirar pureza. Quero ser santa e levar santidade!


Você está numa guerra em qualquer apresentação musical! Todo o seu trabalho de música só pode inspirar e levar a santidade. Você não pode brincar nesses momentos decisivos. O inimigo já tem usado e abusado demais deles.


Você, rapaz, também é alvo! Precisa ser casto em tudo: nas suas roupas, no seu jeito de se apresentar. Porque o homem quando quer também sabe se mostrar sensual. Por amor de Deus, não vá na onda dos artistas! Eles estão a serviço de satanás. Você não é do “Kiss” (Knights in satan Service), que significa “Cavaleiros a serviço de satanás”! Você está a serviço de Jesus e da santidade!


Por isso, músicos de Deus: “ou santos ou nada”. É preciso se decidir por um compromisso de castidade e vivê-lo. Quando o grupo, a banda inteirinha, faz um compromisso de castidade, um cuida do outro, para nenhum cair.Todos nos do Ministério de Música Canção Nova fizemos um compromisso com castidade: os casados e os solteiros. Nós nos seguramos uns aos outros, oramos uns pelos outros. Não empurramos ninguém. Nós nos seguramos e não deixamos ninguém cair. Do contrario, somos presas do inimigo. Ele vem, e numa rasteira, derruba todo o mundo junto. Nessa hora, o que carregou o grupo inteiro grita: “Se tivéssemos feito antes um compromisso de santidade...!” Ou você tem um ministério de música consagrado ou cai e todos caem.


Monsenhor Jonas Fundador da Comunidade Canção Nova